A influenciadora digital Paula Simões, presa em setembro deste ano, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que a liga à máfia italiana ‘Ndrangheta’. Paula já havia sido condenada anteriormente por lavagem de dinheiro, envolvendo a compra de dois apartamentos em São Paulo, adquiridos com recursos oriundos do tráfico de drogas, segundo a Justiça Federal.
A aquisição dos imóveis, que totalizaram cerca de R$ 1,9 milhão, ocorreu em abril de 2015, pouco antes de Paula formalizar seu casamento com Patrick Assisi, apontado como chefe da organização criminosa no Brasil. Na época, Paula se declarou solteira nas escrituras, mas o registro de casamento foi feito apenas quatro dias após as compras. A defesa de Paula alega que todas as acusações são falsas e destaca que não foram encontradas drogas com ela.
Os investigadores afirmam que as transações imobiliárias foram feitas em nome de Paula para esconder a origem ilícita do dinheiro. Embora a defesa alegue que as aquisições foram realizadas devido à falta de CPF de Patrick na época, a Justiça descobriu que a empresa que eles alegaram ser a fonte dos recursos foi criada depois das compras. Além disso, a Justiça também analisou a compra de um carro BMW registrado em nome de Paula, avaliado em R$ 100 mil, que ela afirma ter sido um presente de seu marido.
Os desdobramentos do caso levaram Paula a ser identificada como ‘herdeira operacional’ do tráfico de cocaína no Brasil após a prisão de Patrick e seu pai, Nicola Assisi, em julho de 2019. Desde então, ela teria assumido a coordenação das atividades criminosas, utilizando o codinome ‘Chanel’ em comunicações criptografadas. A PF alega que Paula facilitava o contato entre fornecedores na América do Sul e investidores na Europa, além de gerenciar a movimentação financeira da organização criminosa.
Entre os indivíduos com quem Paula estaria se relacionando no esquema, destaca-se Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, que é uma figura proeminente do PCC no Paraguai. As investigações também conectaram Paula a Patrick Raasch Cardoso, um advogado suspeito de envolvimento no tráfico de drogas, que teria atuado como intermediário em transações ilícitas.
Além de tudo isso, a PF descobriu que Paula e um doleiro, Tharek Mourad Mourad, estavam envolvidos em um esquema que movimentou mais de US$ 6 milhões entre 2020 e 2021, utilizando um sistema conhecido como “dólar-cabo/token”. O dinheiro seria destinado à compra de drogas e à manutenção das operações da máfia italiana.
A defesa de Paula continua negando as acusações e destaca que não foram encontradas provas concretas que ligassem a influenciadora a atividades criminosas. Com o caso ganhando repercussão, a população local observa atentamente os desdobramentos da investigação que pode ter implicações mais amplas no combate ao crime organizado na região.
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