Um caso de violência de gênero em Santos, no litoral paulista, ganhou destaque após a prisão de um homem de 26 anos que desrespeitou uma medida protetiva. O indivíduo, que mantinha um relacionamento casual com a vítima, usou um método inusitado para intimidá-la: transferências de R$ 0,01 via Pix, além de realizar cerca de 30 pedidos de entrega em um único dia na casa dela.
A situação se agravou após o término do relacionamento, quando o homem começou a perseguir a mulher, levando-a a registrar queixas na polícia. As medidas protetivas foram concedidas, proibindo qualquer tipo de contato, mas o investigado não hesitou em ignorar as ordens judiciais. Ele ainda teria criado um perfil em uma rede social para compartilhar fotos da mulher, aumentando o clima de terror.
A delegada Mayla Hadid, que comanda a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em Santos, relatou que a vítima fez a primeira denúncia, mas o juiz negou o pedido de prisão. Quando retornou à delegacia, a mulher trouxe novas informações sobre o comportamento ameaçador do homem, que incluía ligações de números desconhecidos e mensagens hostis, como promessas de “fazer barraco” em sua casa.
Após essa nova denúncia, um segundo pedido de prisão foi aceito pela Vara de Violência Doméstica e Familiar de Santos. Na manhã de segunda-feira (19), a polícia prendeu o homem em uma república no bairro Bela Vista, em São Paulo. Ele deverá passar por audiência de custódia nesta terça-feira (20).
Durante o interrogatório, o preso reconheceu que descumpriu a medida protetiva e alegou que a vítima havia estado com ele após a ordem judicial. No entanto, a delegada ressaltou que a versão apresentada ainda precisa de comprovações e que, em casos como esse, o consentimento da vítima não anula as decisões da Justiça.


