A Prefeitura de Cubatão, no litoral paulista, deu um passo firme contra a instalação de um complexo logístico na Ilha do Tatu, protocolando um relatório técnico na Cetesb que expressa sua oposição ao projeto. A documentação, registrada na última quarta-feira (7), destaca que a construção exigiria a derrubada de 45 hectares de vegetação nativa, incluindo manguezais e áreas de restinga, o que gera preocupação entre os moradores e ambientalistas.
O complexo, proposto pela empresa Condilog Operações SPE Ltda., ocuparia uma vasta área de aproximadamente 510 mil m², com instalações que incluem pátios para caminhões, armazéns e áreas de apoio para caminhoneiros. O pedido de licença ambiental foi publicado no Diário Oficial do Estado em 14 de setembro, dando um prazo de 45 dias para que a população e entidades se manifestassem sobre a proposta.
A Secretaria de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar Animal (Semam-SCBem) e o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema) foram os responsáveis pela elaboração do relatório. A prefeitura já manifestou que a região da Ilha do Tatu é parte do Sistema Estuarino de Santos, um ecossistema rico que abriga manguezais e remanescentes da Mata Atlântica, essenciais para a biodiversidade e a proteção da costa.
Além dos impactos ambientais, o relatório aponta riscos à saúde e à qualidade de vida de aproximadamente 40 mil residentes de bairros adjacentes, como Jardim Casqueiro e Ilha Caraguatá. O aumento no fluxo de caminhões poderia gerar mais poluição, ruído e trânsito, prejudicando a rotina dos moradores locais.
Em vez do complexo na Ilha do Tatu, a administração municipal propôs o Sítio dos Areais, área do Polo Industrial de Cubatão, como uma alternativa viável para a implantação do empreendimento logístico. A resposta à solicitação da Condilog é uma demonstração da preocupação da prefeitura em equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e o bem-estar da comunidade.


